Benigna Villas Boas

Livro “Pesquisa coletiva, avaliação externa e qualidade da escola pública”

Livro “Pesquisa coletiva, avaliação externa e qualidade da escola pública”

Acaba de ser lançado o livro com o título acima, organizado por Olenir Maria Mendes, Leonilce Matilde Richter, Cristhian Alves Martins, Clarice Carlina Ortiz de Camargo e Simone Freitas Pereira Costa, publicado pela Editora CRV, Curitiba, 2018, com prefácio de Domingos Fernandes.

Na apresentação as autoras esclarecem ser esse trabalho resultado de uma pesquisa desenvolvida coletivamente pelos/as integrantes do Grupo de Estudos e Pesquisas em Avaliação Educacional (Gepae), da Universidade Federal de Uberlândia, MG, cujo objetivo foi analisar os impactos da avaliação externa na qualidade educacional, de acordo com a perspectiva das pessoas que vivem diuturnamente essa realidade nas escolas.

O objeto de análise foi o Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública (Simave), realizado desde 2000 pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais. A pesquisa, que envolveu as redes municipais de Uberlândia e Ituiutaba, identificou: os impactos do SIMAVE na organização do trabalho pedagógico, com o intuito de compreender a sua concepção de qualidade, como também a das escolas públicas; as melhorias ou transformações provocadas pelas políticas mineiras de avaliação; e como as escolas têm se organizado para resolver os problemas relacionados à aprendizagem e ao desempenho dos/as estudantes. Por fim, foi evidenciada a cultura avaliativa que tem predominado nas escolas a partir da implementação do sistema mencionado.

O livro ora apresentado baseia-se no tripé: pesquisa coletiva, avaliação externa e qualidade da escola pública. É importante destacar a realização coletiva da pesquisa, assim como a publicação coletiva dos seus achados. Todas as pesquisadoras são igualmente autoras de todos os capítulos. Apregoa-se muito a necessidade de desenvolvimento conjunto das atividades educacionais, mas não é comum encontrarmos produção em grupo como esta relatada no livro. O mais comum é o professor coordenador do trabalho assumi-lo para si. Não foi o que aconteceu na presente situação.

O que facilitou a realização conjunta da pesquisa foi a existência de um grupo de pesquisa constituído em 2000. Após 18 anos de existência, ele se consolida por meio de uma publicação digna de aplausos.

Uma das muitas contribuições do livro é o compromisso das suas autoras com a avaliação para as aprendizagens. O emprego do “para” faz toda diferença, porque dá movimento à avaliação, dando-lhe o sentido de promotora das aprendizagens, recusando a simples produção de resultados. Não que estes não sejam importantes, mas decorrem do processo de aprendizagem em que todos os estudantes se incluem.

Na semana em que recebi e estou lendo o livro saíram os resultados do SAEB e do IDEB 2017. Só se fala nisso. Todas as notícias tratam dos números e seu significado. Um dos secretários de educação foi hoje, 4 de setembro, entrevistado por uma rede de televisão. Não abordou como as escolas serão ajudadas a compreenderem e a se situarem diante dos dados e a articulá-los ao processo seu avaliativo com vistas à reorganização do trabalho pedagógico que garanta as aprendizagens de cada estudante. É oportuno chamar a atenção para o capítulo do livro de Mendes e colegas que trata dos “momentos de tensionamento: o clima criado pela avaliação externa”. Elas se referem às tensões por que passam os estudantes antes dos exames, talvez impostas pelos professores. O que estamos percebendo nesta semana é a tensão por que passam os gestores de todos os níveis e os professores. A escola está na berlinda.               

Convido os interessados a lerem o livro para discutirem com as autoras, mesmo a distância, as contribuições da sua pesquisa. O tripé em que se sustenta o livro nos oferece uma leitura necessária e agradável.

Parabéns às autoras!

 

 

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