Publicado em 22/05/2023 por Luiz Carlos de Freitas, no blog do Freitas

Usar teste padronizado com a finalidade de informar aos professores o que está acontecendo em sua própria sala de aula é, na verdade, uma inutilidade. A função dele, no melhor dos casos, seria, com todas as cautelas e juntamente com outros indicadores, servir para uma crítica das políticas públicas dos governos. Para tal não precisam ser censitários, podem ser amostrais – e mais baratos… Nenhum estatístico sério irá defender que seu teste pode saber mais do que os próprios professores sobre seus estudantes. Porque são feitos, então?

Primeiro, porque a reforma empresarial quer “controlar” e colocar “pressão” sobre as escolas para que sejam “eficientes”. Esta política acha que o ser humano só é eficiente se for pressionado. Não passa pela cabeça deles que existam condições restritivas oriundas das políticas educacionais ou da própria vida dos estudantes que estejam sendo impeditivas. E se acham que existem, também acham que as escolas podem e devem superar tais obstáculos. Para tal, vivem procurando alguma escola que atenda crianças pobres para transformá-la em “evidência empírica” de boa educação.

Christopher Tienken (professor associado da Seton Hall University) e Julie Larrea Borst (diretora executiva da Save Our Schools New Jersey e presidente do conselho da New Jersey Community Schools Coalition fazem um apelo para que os Estados Unidos, o país que mais usa testes padronizados do grupo de países do G20, livrem-se dos testes padronizados em educação, pois eles “simplesmente não funcionam”.

No texto deles, é possível se ler uma segunda razão para a mania dos testes. Eles apontam que com esta mania “um verdadeiro complexo industrial de testes foi instalado em todo o país, que desvia recursos educacionais de escolas públicas para grandes corporações.”

Por isso que, em alguns meios acadêmicos norte-americanos, o programa educacional do presidente G. W. Bush chamado “Nenhuma criança deixada para trás” era chamado, na verdade, de “Nenhum consultor deixado para trás”.

Os autores apontam que estudos nos últimos 35 anos nos informam que “os resultados de testes padronizados são altamente subjetivos e não totalmente indicativos do que está acontecendo na sala de aula.” Há evidências empíricas, ressaltam, que apontam que “os testes padronizados são medidas que reproduzem resultados que podem ser previstos no âmbito das escolas “usando dados demográficos familiares e comunitários encontrados no Censo dos EUA.” Em resumo, afirmam que:

“Simplificando, os resultados de estudo após estudo ao longo dos últimos 70 anos sugerem que os testes estão medindo mais as experiências de uma criança obtidas fora da escola do que o que está acontecendo dentro da escola. Os resultados não fornecem informações válidas sobre a qualidade do ensino em uma escola, como um aluno aprende, o que um aluno aprendeu, nem o potencial de aprendizagem de um aluno.”

Leia todo o texto aqui.

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